Uma reviravolta na investigação do Voo MH17 supostamente derrubado pela Rússia

por Oriental Review

Em fins de Agosto a Rússia entregou à Holanda dados descodificados de radar da zona aérea onde o Voo MH17 de Malaysian Airlines foi derrubado, em 17/Julho/2014.Estes materiais foram inicialmente entregues no original , ou seja, de forma não descodificada, juntamente com o software necessário para descodificá-los.

Contudo, os investigadores holandeses, apesar de estarem armados com a mais recente tecnologia moderna e ainda com a assistência dos seus colegas britânicos, não foram capazes de descodificar os registos e acabaram por pedir aos peritos russos que fizessem isso. Ao longo de três anos esta foi a única vez em que pediram [aos russos] para colaborar. Nunca antes a comissão aceitara quaisquer ofertas russas de assistência.

Os registos descodificados mostravam claramente que o míssil fora disparado da zona controlada pelos militares ucranianos. E isto não alguma estória falsificada cozinhada por jornalistas, mas sim informação técnica documentada.

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A distância estimada entre o Voo MH-17 e o lançador BUK controlado pelos ucranianos em Zroshchenskoe no momento do ataque (menos de 30 km) está dentro do seu alcance operacional, ao contrário de outro presumivelmente operado pela milícia no Donbass.

Contudo, todos os sinais parecem indicar que a informação descodificada obtida da Rússia não será incluída no processo, mas ao invés disso enfrentará o destino de muitos outros dados que não se ajustam perfeitamente dentro da versão preferida da investigação. Ela provavelmente cairá no buraco negro, tal como aconteceu às fotos da tragédia tiradas por satélites espiões americanos.

Enquanto isso, no entanto, não será fácil para os investigadores apegarem-se à sua abordagem prescrita para a investigação. Peritos independentes estão conscenciosamente a sugerir novos rumos para o inquérito que poderiam ajudar no avanço do processo.

Exemplo: uma vez que todos os sítios de lançamento do exército ucraniano do seu sistema Buk-M1 de defesa de mísseis podem ser contados e examinados pela comissão, seria uma questão bastantes simples estabelecer se pelo menos um deles foi utilizado para disparar o míssil. Uma inspecção dos 60 sítios de lançamento existentes neste sistema é fisicamente possível e poderia proporcionar alguma informação surpreendente. O lançamento do míssil Buk-M1 deixa “queimaduras” indeléveis na rampa que não podem ser ocultadas, mesmo sob uma nova camada de pintura. Embora isso parecesse uma sugestão muito simples, ela é significativa.

Kees van der Pijl , professor do Departamento de Relações Internacionais da Universidade de Sussex e presidente da ONG The Committee of Vigilance Against Resurgent Fascism , concluiu recentemente o livro intitulado The Launch: Flight MH17, Ukraine and New Cold War (Der Abschuss: Flug MH17, die Ukraine und der neue Kalte Krieg).A versão em alemão e o original em inglês já estão à venda, a tradução em português estarão disponível em breve.

O professor van der Pijl examina a tragédia de uma perspectiva geopolítica e pergunta: quem se beneficia mais com o desastre? E responde: os EUA, o qual logo a seguir impôs sanções contra a Rússia, minando a sua indústria do gás e controlando o seu crescimento na cena internacional.

O professor menciona

 

especificamente os seguintes argumentos:

  • Um dia antes da tragédia, os países BRICS assinaram um acordo para constituir o seu próprio banco, o qual os EUA encaram como um rival para o FMI e o Banco Mundial.
  • Vladimir Putin e Angela Merkel estabeleceram um novo quadro conceptual para resolver a crise na Ucrânia – sem participação dos EUA – e um progresso real estava a ser feito.
  • Além disso, uma vez derrubado o Boeing 777, companhias de gás americanas subitamente foram capazes de encontrar força para arrancar com o seu trabalho na Europa e forçar a Rússia para fora do mercado da UE. Moscovo foi forçada a abandonar a construção do gasoduto South Stream e as relações com o governo de Kiev, o qual a seguir se tornou um peão nos jogos do ocidente, azedaram definitivamente.

Nem um único media europeu ou americano reagiu ao anúncio da publicação do livro e o seu caminho para as prateleiras das livrarias é improvável que seja fácil. Contudo, os tempos estão a mudar e muitas pessoas estão a ganhar interesse e a afluir ao blog do professor van der Pijl, Der Abschuss Flug MH17 (O derrube do voo MH17), o qual apresenta informação acerca da publicação do livro bem como links para a suas fontes.

Utilizando os materiais disponíveis para eles, os autores do blog pretendem lançar luz sobre as absurdas inconsistências evidentes durante a investigação, assim como sobre a teimosa relutância dos investigadores para responderem a questões incómodas. Alguns exemplos conhecidos são:

  • Como podia o presidente ucraniano, Poroshenko, o qual anunciou a tragédia 15 minutos após a sua ocorrência, ter conhecimento de que o Boeing 777 fora derrubado por um míssil Buk russo?
  • Por que a comissão de investigação não considerou os resultados da destruição experimental de um avião de passageiros fora de serviço pela companhia Almaz Antey, recusando-se também a tomar parte num segundo experimento?
  • O que levou controladores de tráfego (dispatchers) ucranianos a alterar a rota de voo do MH17 exactamente antes da tragédia?

Em breve veremos se responsáveis silenciarão o livro agora distribuído e que consequências isso poderá ter. Mas os acontecimentos poderiam ter uma viragem interessante. Em resultado dos esforços do professor van der Pijl, saberemos o preço não só do trabalho da comissão holandesa de investigação do destino trágico do voo MH17 como também da democracia europeia e da justiça europeia… 

O original encontra-se em https://orientalreview.org/2017/09/04/new-twist-investigation-flight-mh17/ 


 

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Publicado por em jan 10 2018. Arquivado em TÓPICO II. Você pode acompanhar quaisquer respostas a esta entrada através do RSS 2.0. Você pode deixar uma resposta, ou trackbacks a esta entrada

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