Representante dos EUA reconhece dificuldade de derrubar Maduro

O enviado dos Estados Unidos à Venezuela, Elliot Abrams, admitiu que não há sinais de que o presidente venezuelano Nicolás Maduro esteja aberto a negociações para deixar o governo, cedendo o poder ao líder da oposição Juan Guaidó.

Abrams, que serviu nas administrações de Ronald Reagan e George W. Bush, disse que qualquer solução negociada precisaria ser alcançada entre os venezuelanos, e que os Estados Unidos poderiam ajudar levantando ou facilitando as sanções norte-americanas e restrições de viagem uma vez que Maduro concordasse em sair.

Mas Abrams se mostrou frustrado com a capacidade de resistência do líder bolivariano. “De tudo o que vimos, a tática de Maduro é ficar parado”, disse Abrams em uma entrevista na sexta-feira (8).

Países aliados dos Estados Unidos na América Latina e Europa reconheceram Guaidó como o chefe de Estado interino da Venezuela, mas Maduro mantém o apoio da Rússia e da China, bem como o controle de instituições estatais, incluindo as Forças Armadas.

Abrams se encontrou com representantes russos nos EUA com os quais conversou sobre o apoio de Moscou a Maduro. O ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov, disse no início do mês, depois de uma conversa por telefone com o secretário de Estado dos EUA, Mike Pompeo, que seu país estava pronto para participar de conversações bilaterais sobre a Venezuela.

“Os russos continuam a apoiar Maduro e não há indicação de que eu tenha visto que eles estão dizendo que é hora de acabar com isso”, disse Abrams.

Washington pediu aos bancos estrangeiros que garantam que os funcionários do governo de Maduro e da Venezuela não estejam escondendo ativos financeiros no exterior. John Bolton, o conselheiro de segurança nacional dos EUA, ameaçou na semana passada impor sanções contra qualquer instituição financeira que ajudasse Maduro.

“Não vamos conseguir nenhuma cooperação dos bancos russos, mas acho que cada passo que damos dificulta que o regime roube dinheiro”, disse Abrams.

A Rússia tem 3,1 bilhões de dólares em dívidas soberanas da Venezuela e atuou como credor de última instância para Caracas, com o governo e a gigante do petróleo russa, a Rosneft, entregando à Venezuela pelo menos 17 bilhões de dólares em empréstimos e linhas de crédito desde 2006.

Abrams disse que ainda não falou com autoridades do governo chinês sobre o apoio de Pequim a Maduro, por problemas de agendamento. “Nós vamos fazer isso”, disse Abrams.

Referindo-se a Cuba, o enviado norte-americano descreveu a ilha como “um parasita que se alimenta da Venezuela há décadas”, tomando seu petróleo enquanto oferece inteligência e outras proteções para Maduro.

“Há milhares de oficiais cubanos, e literalmente, fisicamente em torno dele. De certa forma, eles são os principais assessores de Maduro”, disse Abrams sobre o papel de Havana.

Cuba tem sido um dos principais apoiadores do governo socialista venezuelano desde a Revolução Bolivariana que começou sob a liderança de Hugo Chávez.

Cuba negou ter forças de segurança na Venezuela e disse que declarações como a de Abrams faziam parte de uma campanha de mentiras que visava abrir caminho para a intervenção militar norte-americana no país sul-americano.

Reuters


 

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Publicado por em mar 11 2019. Arquivado em TÓPICO I. Você pode acompanhar quaisquer respostas a esta entrada através do RSS 2.0. Você pode deixar uma resposta, ou trackbacks a esta entrada

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