Quem são os Mudjahedines do Povo, opositores ferrenhos ao regime do Irã?

Grupo opositor considerado terrorista por Teerã é acusado de envolvimento em marchas

Manifestantes em Bruxelas carregam cartazes da líder do movimento opositor Organização dos Mudjahedines do Povo Iraniano (PMOI) – THIERRY ROGE / AFP

 

A Organização dos Mudjahedines do Povo Iraniano (PMOI), com sede na França, é formada por ferrenhos opositores ao governo do Irã. São considerados um grupo terrorista pelo presidente Hassan Rouhani e, segundo o regime de Teerã, estão envolvidos nas manifestações que tomam conta das ruas em diversas cidades iranianas. Entenda aqui quem eles são e a sua relevância para a turbulenta política da república islâmica.

FUNDAÇÃO DO IRÃ

A PMOI foi criada em 1965 com o objetivo de derrubar o regime do xá Mohammad Reza Pahlevi e, mais tarde, o regime islâmico. De inspiração marxista, nasceu de uma cisão dentro do nacionalista Movimento de Libertação do Irã (MLI), sob a liderança de Mehdi Bazargan.

A maioria de seus fundadores morreu nas prisões do xá. Depois de um breve período de legalidade — quando explodiu a Revolução Islâmica de 1979 —, a organização foi declarada ilegal em 1981 na esteira de uma manifestação duramente reprimida.

EXÍLIO FORÇADO

Em junho de 1981, um atentado contra a sede do Partido da República Islâmica — que deixou 74 mortos, entre eles o aiatolá Behechti, o então número dois do regime iraniano — foi atribuído pelas autoridades aos mudjahedines. Expulsos do irã, os membros da organização encontraram refúgio em vários países do mundo, principalmente na França, onde se instalaram na localidade de Auvers-sur-Oise, com seu chefe Massud Radjavi, que criou então o Conselho Nacional da Resistência Iraniana (CNRI). Em 1986, Radjavi foi expulso da França, cujo governo havia iniciado uma política de aproximação com o Irã.

Mais tarde, os mudjahedines se instalaram no Iraque, então em guerra com o Irã, e lutaram junto a Sadam Hussein, o que os levou a serem classificados como traidores pelo poder iraniano. Quando terminou a guerra Irã-Iraque (1980-88), o grupo lançou uma ofensiva militar contra o Irã, e tomou o controle de várias cidades na fronteira. Mas a ofensiva foi arrasada pelas forças armadas iranianas.

Desde 1989, a PMOI é dirigida por Maryam Radjavi, que é chamada de “Sol da Revolução”. A organização foi comparada a uma seita, e o casal formado por Massud e Maryam Radjavi seriam seus gurus. Em 1993, Maryam foi nomeada chefe do CNRI.

Em 1987, a OMPI criou seu braço armado, o Exército Nacional do Irã, e reivindicou várias operações. Dentre elas, incluem-se um ataque contra oleodutos em 1993 e outro contra o mausoléu do aiatólá Khomeini, perto de Teerã. O grupo também é acusado por dezenas de assassinatos.

Quando, em 2003, Sadam Hussein caiu no Iraque, os mudjahedines foram desarmados e levados para o campo de Achraf, noroeste de Bagdá. Em fevereiro de 2012, aceitaram abandonar o campo para se instalar perto de Bagdá. E, em maio do ano seguinte, a pedido das autoridades americanas e da ONU, abandonaram o Iraque e partiram para a Albânia.

ATIVIDADE NA FRANÇA

Em 2003, Maryam Radjavi foi detida na França junto a outras 160 pessoas. Duas semanas depois, foi libertada depois de vários protestos e duas imolações. A investigação sobre ela por atividades terroristas terminou em 2014.

Em janeiro de 2009, a OMPI foi retirada da lista de organizações terroristas da União Europeia, onde figurava desde 2002. Em 2012, deixou a lista de terroristas dos EUA.

Em julho de 2015, Maryam expressou sua oposição ao acordo entre o Irã e as grandes potências sobre o acordo nuclear de Teerã. Em outubro do mesmo ano, Radjavi acusou a comunidade internacional de ser complacente com o Irã sobre a questão da pena de morte.

Por sua parte, o Irã protestou, em julho de 2016 ante a França, pela reunião anual da CNRI, a quem acusa de ter “as mãos manchadas de sangue do povo iraniano”.

AFP


 

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Publicado por em jan 3 2018. Arquivado em TÓPICO II. Você pode acompanhar quaisquer respostas a esta entrada através do RSS 2.0. Você pode deixar uma resposta, ou trackbacks a esta entrada

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