Os Estados Unidos e a “ameaça russa”

 

 

 

Talvez de forma inédita e traduzindo a dimensão da crise, a profundidade dos problemas e a complexa encruzilhada com que os Estados Unidos se confrontam – e que o seu declínio econômico relativo no plano mundial igualmente evidencia –, continua a exibição do estado de degradação do sistema político norte-americano, onde emerge de forma clara a sistemática “fabricação” e utilização da mistificação e da mentira que o caracteriza, suportada na teia e ação de um indeterminável conjunto de agências e serviços de informação, dos grandes meios de comunicação social, de responsáveis políticos e, fundamentalmente, dos grandes (e contraditórios) interesses econômicos que estes representam. Face ao “vale tudo”, há quem chegue a equiparar as atuais manobras e tramas entre a classe dominante dos Estados Unidos – nomeadamente as que visam descredibilizar, deslegitimar, condicionar a ação e mesmo limitar o mandato do futuro presidente – às ações que estes utilizam nas operações de desestabilização e subversão contra outros estados soberanos.

Saliente-se que, neste quadro, continua a ser desenvolvida toda uma intensa campanha que visa branquear o que representaram os dois mandatos de Obama no prosseguimento da agenda neoliberal e agressiva que procura afirmar e impor o domínio hegemônico dos EUA.

Do mesmo modo, intensifica-se até à exaustão a campanha da “ameaça russa”, escondendo cinicamente que, entre outros importantes aspectos, são os Estados Unidos e os seus aliados os responsáveis pela destruição da Líbia; pela agressão à Síria; pela agressão ao Iêmen; pela fragmentação do Iraque; pela continuação da guerra do Afeganistão; pelo golpe na Ucrânia; pela promoção e apoio a grupos armados e à sua ação terrorista; pelo reforço da Otan no Leste da Europa, de que é exemplo a recente instalação de significativos meios militares dos EUA na Polônia; pelo desenvolvimento das armas nucleares e a corrida aos armamentos; pela instalação do sistema anti-míssil norte-americano na Europa e a decisão de o instalar na Ásia; ou pela definição da China como o grande adversário estratégico e o reforço da presença militar dos EUA no Pacífico.

Note-se ainda que Trump começa a ser utilizado como pretexto na União Europeia – e face à saída do Reino Unido – para dar ímpeto a novos saltos no processo de integração capitalista europeu, com novos ataques à soberania nacional e o aprofundamento da sua militarização.

Não iludindo diferenças, Donald Trump não representa uma visão distinta quanto a aspectos fundamentais da sociedade norte-americana, quanto à afirmação e imposição do domínio hegemônico dos Estados Unidos. Com a sua tomada de posse irão ficar mais claros os desenvolvimentos na agenda que tem caracterizado as sucessivas administrações norte-americanas, incluindo no quadro da relação de concertação-rivalidades com outras potências imperialistas, assim como com os denominados países “emergentes”.

A situação nos Estados Unidos coloca uma vez mais em evidência que está nas mãos dos trabalhadores e do povo norte-americano a construção de uma real alternativa que, rejeitando a falsa e ilusória “opção” que lhe tem vindo a ser imposta, confronte o capital financeiro de “Wall Street” e o complexo militar-industrial que dominam os EUA e ameaçam e agridem o mundo.


 

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Publicado por em jan 21 2017. Arquivado em 4. Você pode acompanhar quaisquer respostas a esta entrada através do RSS 2.0. Você pode deixar uma resposta, ou trackbacks a esta entrada

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