O chavismo tem a maioria na Venezuela

 

"Definitivamente, este processo eleitoral ratifica o voto de confiança da cidadania venezuelana em seu governo. Venceu a paz. Venceu a Constituinte"“Definitivamente, este processo eleitoral ratifica o voto de confiança da cidadania venezuelana em seu governo. Venceu a paz. Venceu a Constituinte”

Esta vez, o pleito era para eleger os governadores regionais. E o chavismo voltou a ganhar nas urnas: conquistou muito mais estados que a oposição (17 contra 5, falta terminar a contagem em Bolívar). Três quartos dos estados serão governados pelo chavismo. Em votos nacionais, também conquistou uma maioria significativa: 54%.

À luz destes resultados, cabe apresentar algumas conclusões preliminares:

A revolução bolivariana tem apreço pelo voto. Se empenha em demonstrar que seu caminho transita obrigatoriamente pela via eleitoral. É a condição necessária ainda que não suficiente. A democracia para o chavismo é muito mais que o ato de votar. Porém, o eleitoral é inegociável como premissa básica no projeto político. Mas há algo mais: o chavismo é fascinado pela batalha eleitoral. Os dirigentes e as bases se vestem de gala em cada ato de campanha. Que ninguém se engane: a importância que Chávez deu às eleições marcou o povo venezuelano de forma irreversível. E o presidente Maduro seguiu esta mesma tônica: 5 eleições em menos de 5 anos. E no próximo ano, tal como está previsto segundo os termos constitucionais, haverá eleição presidencial.

O fim do chavismo é uma profecia não cumprida. Subestimar o legado de Chávez é realmente desconhecer a Venezuela do século 21. Apesar das tensões que podem surgir no interior do bloco hegemônico, o chavismo como identidade política é muito mais sólido do que alguns desejam. Como qualquer processo político, se atravessa diferentes etapas que provocam mutações, contradições e desafios para serem superados. Entretanto, o chavismo tem como essência crescer frente às adversidades. Frente às ameaças de Trump, bloqueios financeiros, declarações da OEA, guarimbas que causaram muitas mortes, frente a tantas e tantas tentativas de transformar a Venezuela no que ela não é, o chavismo tem clareza política sobre a importância da unidade apesar das legítimas divergências e críticas que possam existir. Além disso, o chavismo é algo mais que um governo chavista. É uma maioria que quase sempre decide através de votações qual o melhor projeto político. Da mesma forma que num determinado momento acreditou ser necessário dar um gelo em seus dirigentes nas eleições legislativas passadas, logo depois apoiou massivamente a Constituinte. E agora, novamente, decide majoritariamente que o chavismo há de ser quem vai gerir o país para superar uma situação complicada.

A oposição não sabe o que fazer. Neste caso, nesta vereda opositora, a unidade, apesar de suas siglas, brilha pela ausência. Não é monolítica, nem homogênea por mais que queiram impor isso a partir do Norte. A história política venezuelana também conta ainda que certos meios de comunicação tentem desconhecer isso.

A velha partidocracia opositora está tão presente que é muito difícil que se renove o campo político de confronto. É como se rodassem para as pessoas um filme na OEA com o juramento de outro tribunal de justiça que jamais terá efeito no país. Tampouco interessa à população que a oposição perca tempo em debates distantes do cotidiano. Quanto mais o tempo passa, é mais improvável que exista uma oposição capaz de dar respostas ao que o país precisa neste tempo histórico. E a isso se soma seu caráter esquizofrênico em torno de aceitar ou não a via eleitoral, então o que passa: segue sem ser alternativa real.

A uma parte do mundo a paz não é agradável. Depois de algo mais de dois meses, nos quais não houve mortes e violência, a Venezuela deixou de ocupar manchetes. Esta eleição foi tratada em “dó menor”. Saberiam de antemão que a maioria venezuelana voltaria a votar a favor do chavismo? É paradoxo que depois de ter dedicado rios de tinta exigindo eleições, agora elas já não interessem.

Definitivamente, este processo eleitoral ratifica o voto de confiança da cidadania venezuelana em seu governo. Venceu a paz. Venceu a Constituinte. A participação popular foi muito elevada: mais de 61%. A mais alta nas eleições regionais da Venezuela no século 21. Maiores que as últimas regionais do México, do Chile e da Colômbia. E a partir de agora o chavismo tem o desafio de trabalhar dando ouvido à população, atendendo as demandas das pessoas, sabendo que há problemas, mas também tendo clareza que sim, há alternativas e que é preciso buscá-las até encontrá-las sem acudir à perda de soberania nem colocando em risco tudo que foi conquistado socialmente nestes anos.

*Alfredo Serrano Mancilla é doutor em Economia pela Universidade Autônoma de Barcelona, diretor executivo do Celag (Centro Estratégico Latino-americano Geopolítico) e assessor da Telesur para os temas de economia e geopolítica na América Latina

Tradução: Mariana Serafini


 

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Publicado por em out 17 2017. Arquivado em TÓPICO I. Você pode acompanhar quaisquer respostas a esta entrada através do RSS 2.0. Você pode deixar uma resposta, ou trackbacks a esta entrada

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