Junto a Putin, Macron chama mídia russa de ‘órgão de propaganda’

Presidente russo questiona acusações e nega interferência em eleição na França

Macron e Putin ouvem perguntas de jornalistas no Palácio de Versalhes Foto: PHILIPPE WOJAZER / REUTERS
Macron e Putin ouvem perguntas de jornalistas no Palácio de Versalhes – PHILIPPE WOJAZER / REUTERS

VERSALHES – O presidente da França, Emmanuel Macron, recebeu pela primeira vez o chefe de Estado russo, Vladimir Putin, desde que assumiu o cargo. Após reunião no Palácio de Versalhes, o francês confrontou os canais de comunicação leais ao governo russo. Macron reiterou suas acusações à rede Russia Today e o site de notícias Sputnik, afirmando que ambos se comportaram como “órgãos de propaganda” durante a campanha eleitoral.

 

— Sempre mantive uma relação exemplar com os jornalistas estrangeiros, desde que sejam jornalistas. A RT e a Sputnik comportaram-se como órgãos de influência [durante a campanha], difundiram mentiras sobre a minha pessoa, e por isso excluí-os — afirmou Macron, questionado por uma repórter.

No encontro, os dois líderes reafirmaram as relações de “amizade franco-russa” e se comprometeram a reforçar no combate ao terrorismo promovido pelo Estado Islâmicio. Putin negou ter interferido nas eleições francesas que deram o poder a Macron, em meio a rumores de que a Rússia teria realizado ataques cibernéticos contra Macron durante a campanha eleitoral.

— Essa viagem é um evento marcante em nossas relações. Somos totalmente capazes de tentar avançar juntos em termos da suposta ingerência russa nas eleições. O assunto não foi mencionado. O presidente francês não demonstrou interesse, e muito menos eu — afirmou o presidente russo, questionando a imprensa: — Sobre os hackers, veja como a questão foi formulada. Vocês disseram: “dizem que talvez tenha sido hackers russos”. Como vocês querem que eu comente alguma coisa? Quem disse e sobre qual base? A imprensa pode se permitir a tudo, é por isso que ela existe. Mas na política, não se pode fundir as ações sobre suposições que não são confirmadas.

Macron minimizou a questão:

— Nós falamos da eleição francesa quando o presidente Putin me ligou para me parabenizar. Eu sou pragmático. Quando digo as coisas uma vez, não tenho o hábito de voltar a elas.

 

Os presidentes de Rússia e França: Vladimir Putin e Emmanuel Macron – PHILIPPE WOJAZER / REUTERS

COMBATE AO TERRORISMO

Macron defendeu na reunião que qualquer ação na Síria que faça uso de armas químicas levariam a uma represália imediata da França. O presidente francês disse que haverá uma cooperação dos dois países na questão. Ele afirmou que deseja trocar informações com a Rússia para serem “mais eficientes em solo”.

— Sobre a Síria, lembrei quais são nossas prioriedades: nossa prioridade é a luta contra o terrorismo, é o fio condutor de nossa ação na Síria, em particular o Daesh (acrônimo árabe para Estado Islâmico). Eu quero, além do trabalho que realizamos dentro da coalizão, que possamos reforçar nossa parceria com a Rússia, garantir a estabilidade, a transição democrática — declarou. — É preciso haver intransigência sobre o uso de armas químicas e a exigência de acesso a rotas humanitárias.

Por sua vez, Putin ressaltou que o foco deve ser o combate ao terrorismo, citando uma proposta de grupo de trabalho em conjunto entre Moscou e Paris:

— O mais importante é a luta contra o terrorismo. O presidente francês propôs de colocar em prática um grupo de trabalho, no qual os especialistas podem estar tanto em Moscou como em Paris — afirmou Putin. — Quanto ao que é mais problemático na Síria, nós estimamos que não podemos lutar contra a ameaça terrorista destruindo o Estado (sírio).

Macron disse que demonstrou a Putin seu interesse em uma desescalada do conflito na Ucrânia. Ele disse que pretende obter uma troca satisfatória com Alemanha e Ucrânia no melhor prazo. Putin disse que “nenhuma sanção contribui para solucionar a crise”:

— Faço um chamado para que se deva terminar todas essas limitações às trocas internacionais — pediu o presidente russo.

 

DIREITOS LGBT

A visita do mandatário russo foi alvo de críticas em Paris. A organização Anistia Internacional (AI) pediu a Macron que pressione Putin para que atue contra a homofobia na Chechênia. A ONG organizou um protesto nas proximidades da Torre Eiffel, com dois casais de homens se beijando diante de uma faixa que pede o fim da homofobia na Chechênia.

 

— Queremos que Macron pressione Putin para que este, por sua vez, pressione a Kadyrov (presidente checheno), que persegue com total impunidade homossexuais com a benevolêncie das autoridades — afirmou Cécile Coudriou, vice-presidente da Anistia Internacional na França, à AFP.

Segundo o jornal russo “Novaia Gazeta”, as autoridades da Chechênia, onde a homossexualidade representa um grande tabu, detiveram mais de cem homossexuais e incitaram suas famílias a matá-los para “limpar sua honra”. Na coletiva de imprensa, Macron afirmou que estará em “constante vigilância” a respeito dos direitors LGBT no país.

— Eu lembrei ao presidente Putin a importância para a França do respeito a todas as pessoas. Nós citamos a situação das pessoas LGBT na Chechênia e as ONGs na Rússia. Nós estamos convencidos de ter um seguimento extremamente regular.

Reuters e Agência O Globo


 

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Publicado por em maio 30 2017. Arquivado em 2. Você pode acompanhar quaisquer respostas a esta entrada através do RSS 2.0. Você pode deixar uma resposta, ou trackbacks a esta entrada

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