Em São Paulo, Roger Waters chama Bolsonaro de neofascista e cita ‘Ele não’

 

SÃO PAULO – Roger Waters não decepcionou quem esperava dele um show cheio de música, espetáculo visual e muito discurso político na abertura da porção brasileira da turnê “Us + them” , nesta terça à noite, na Arena Palmeiras, em São Paulo . Embora o presidente americanoDonald Trump continue sendo o alvo preferido do cofundador do Pink Floyd, o candidato à presidência do Brasil pelo PSL, Jair Bolsonaro , foi mencionado algumas vezes direta e indiretamente na apresentação.

A primeira vez foi durante intervalo que Waters e banda fizeram após a execução da seminal “Another brick in the Wall”, que contou com a participação de meninos e meninas de comunidades paulistanas acompanhando a música numa espécie de coreografia. Vestidos com macacões laranja, como prisioneiros americanos, eles terminam o número exibindo camisetas com a inscrição “Resist” (resista, em inglês).

Telão mostrou exemplos de países e líderes políticos onde o neofascismo estaria em ascensão Foto: Alessandro Giannini / Agência O Globo
Telão mostrou exemplos de países e líderes políticos onde o neofascismo estaria em ascensão Foto: Alessandro Giannini / Agência O Globo

Já no intervalo, o grande telão que ocupa toda a extensão do palco exibiu vários slides com exemplos de personagens, tendências e comportamentos que merecem resistência. Em um deles, estava escrito que devemos resistir “ao neofascismo”. E em seguida, o telão mostrou exemplos de países e líderes políticos onde o neofascismo estaria em ascensão. Um dos países citados é o Brasil e o líder apontado é Bolsonaro.

Em um discurso breve, o músico afirmou saber que há uma eleição em andamento no país e que “não tem nada a ver com isso”. Mas, disse ele, não poderia deixar de se posicionar:

— Eu sou a favor dos direitos humanos — afirmou ele, que agradeceu o carinho do público. — Prefiro estar num lugar em que o líder não acredita que a ditadura é uma coisa boa. Lembro das ditaduras da América do sul e não foi bonito.

Waters fez seu primeiro show no Brasil em 2002, com uma coletânea dos sucessos do Pink Floyd e de sua carreira solo. Em 2007, voltou com a turnê que apresentava o clássico “Dark side of the moon“ na íntegra. Cinco anos depois foi a vez dos brasileiros assistirem ao impactante “The Wall”, com as impressionantes projeções no gigantesco muro que ia sendo construído conforme o show avançava — para ser derrubado no final — e a homenagem a Jean Charles, o brasileiro morto pela policia de Londres.

Agência O Globo


 

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Publicado por em out 10 2018. Arquivado em TÓPICO I. Você pode acompanhar quaisquer respostas a esta entrada através do RSS 2.0. Você pode deixar uma resposta, ou trackbacks a esta entrada

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