‘Disparidade muito grande’: como mísseis chineses põem em risco porta-aviões dos EUA

A China está vencendo a guerra armamentista na área dos mísseis convencionais, enquanto os EUA estão tentando freneticamente desenvolver estratégias alternativas antes de os porta-aviões americanos se tornarem obsoletos.

“Sabemos que a China tem a força de mísseis balísticos mais avançada do mundo”, revelou à agência Reuters James Fanell, capitão aposentando da Marinha dos EUA e ex-oficial da inteligência da Frota do Pacífico dos EUA.

Robert Haddick, ex-fuzileiro naval e conselheiro do Comando de Operações Especiais dos EUA, disse à Reuters que “as capacidades dos mísseis antinavio chineses superam as dos EUA no que se refere a alcance, velocidade e desempenho dos sensores”.

A supremacia naval dos EUA não era contestada desde a Segunda Guerra Mundial, quando travaram uma guerra em todo o Pacífico contra a Marinha Imperial do Japão. Tal como a China hoje em dia, a União Soviética tinha como objetivo não permitir aos porta-aviões e submarinos dos EUA se aproximarem das suas fronteiras. Isso foi alcançado através de grandes plataformas de mísseis navais , bem como da construção de porta-aviões com lançadores de mísseis, por exemplo os cruzadores da classe Kiev.

O desenvolvimento rápido das forças de mísseis da China começou em 2015, quando o líder chinês Xi Jinping conferiu à Força de Mísseis do Exército de Libertação do Povo o estatuto de ramo separado, ao lado do Exército, da Marinha e da Força Aérea.

Não obstante a China nunca anunciar publicamente seu arsenal de mísseis, a Liga da Juventude Comunista da China publicou alguns dados sobre a Força de Mísseis, segundo os quais esta conta com cerca de 100 mil militares, 200 mísseis balísticos intercontinentais e 300 mísseis balísticos de médio alcance. Para além disso, dispõe de 1.150 mísseis balísticos de curto alcance e 3 mil mísseis de cruzeiro.

Os mísseis chineses superam os dos EUA no que se refere à velocidade e alcance. Por exemplo, os EUA não têm mísseis antinavio supersônicos operacionais ou de longo alcance, enquanto a China tem dois tipos destes mísseis : o YJ-12, com o alcance de 400 quilômetros, e o YJ-18 com o alcance de 540 quilômetros.

Porta-aviões norte-americano Abraham Lincoln ao lado de caças F-18 durante exercícios no golfo Pérsico
© AP PHOTO / HASSAN AMMAR, FILE
Porta-aviões dos EUA chega à área da 6ª Frota responsável por operações na Europa e África

O melhor míssil antinavio dos EUA, o RGM-UGH-84 Harpoon, foi recentemente modificado e obteve o alcance de 240 quilômetros. A empresa americana Raytheon está tentando aperfeiçoar seu míssil de cruzeiro Tomahawk, que tem um alcance de 1.600 quilômetros , para que possa atacar navios, mas a arma está longe de estar pronta para ser usada contra a Força de Mísseis chinesa. “É uma disparidade muito grande”, disse Haddick.

As tecnologias hipersônicas são mais uma área onde a China supera os EUA. Desde 2014 a China está testando armas que podem atingir a velocidade de Mach 4, quatro vezes a velocidade do som.

“Verdade se diga, nós éramos líderes nesse campo há 10 – 15 anos”, disse o vice-secretário de Defesa dos EUA, Michael Griffin em abril de 2018.

Avião de combate chinês J-15 (foto de arquivo)
© AP PHOTO / XINHUA, ZHA CHUNMING
FOTO revela protótipos de novas aeronaves chinesas para porta-aviões

“Estamos em desvantagem em relação à China hoje em dia porque a China tem mísseis balísticos terrestres que ameaçam nossas bases no Pacífico Ocidental e nossos navios”, disse o almirante Harry Harris no mesmo ano.

Entretanto, um ex-coronel do Exército de Libertação do Povo revelou à Reuters que os mísseis americanos ainda superam os chineses no que se refere à qualidade e quantidade, enquanto Pequim tem vantagem nos custos de produção.

“Não somos capazes de derrotar os EUA no mar, mas temos mísseis que visam especificamente os porta-aviões, para impedir que eles se aproximem de nossas águas territoriais em caso de conflito”, concluiu o ex-coronel chinês.

Sputnik/Reuters


 

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Publicado por em abr 26 2019. Arquivado em 4. Você pode acompanhar quaisquer respostas a esta entrada através do RSS 2.0. Você pode deixar uma resposta, ou trackbacks a esta entrada

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