Crise dos mísseis de Cuba: Como Vassíli Arkhípov salvou o mundo

O relato pessoal de Arkhípov nunca foi ouvido, já que ele morreu quatro anos antes das revelações, em 1998.

O relato pessoal de Arkhípov nunca foi ouvido, já que ele morreu quatro anos antes das revelações, em 1998.

Arquivo

Em 27 de outubro de 1962, no meio da Crise dos Mísseis cubana, o desastre era iminente: os soviéticos, que tinham uma base na ilha, abateram um avião espião americano, matando seu piloto. A guerra estava a apenas um passo.

Desde o início, a Crise dos Mísseis de Cuba, em 1962, representou a ameaça de um desastre nuclear global. Os Estados Unidos exigiam a remoção dos mísseis nucleares soviéticos do território cubano, enquanto Moscou insistia que Washington deveria primeiro retirar seus mísseis da Turquia.

O presidente americano John F. Kennedy ordenou que a Marinha americana bloqueasse Cuba, e Nikita Kruschov reagiu enviando quatro submarinos Foxtrot equipados com torpedos nucleares para as águas cubanas.

Em 27 de outubro de 1962, o desastre era iminente: os soviéticos, que tinham uma base na ilha, abateram um avião espião americano, matando seu piloto. A guerra estava a apenas um passo.

Na costa cubana, 11 navios de guerra americanos e uma aeronave cercaram um dos submarinos soviéticos, B-59.

Tensão sem precedentes

A situação começou a complicar. Na costa cubana, 11 navios de guerra americanos e uma aeronave cercaram um dos submarinos soviéticos, B-59.

Os americanos não faziam ideia de que o B-59 estava carregado de armas nucleares e começaram a atacá-lo para forçar sua subida à superfície. Os oficiais soviéticos precisavam decidir se revidariam ou não.

O capitão do submarino, Valentín Savítski, tentou entrar em contato com Moscou, mas não conseguiu. Os ataques estavam cada vez mais próximos.

“Parecia que estávamos sentados em uma barra de ferro e alguém a golpeava com um martelo”, descreveu Vadím Orlóv, que estava a bordo do B-59 como oficial de inteligência.

O submarino estava ficando sem energia e sem ar, e para recarregá-lo era preciso subir à superfície, mas a tripulação não sabia se as tropas americanas atacariam ou não.

Três oficiais precisavam tomar uma escolher: subiriam e cumpririam as exigências americanas ou lançariam torpedos, entre eles, um nuclear. De acordo com Orlóv, o capitão Savítski estava pronto para atacar, assim como o oficial político da tripulação.

Orl´óv contou que Savítsk estava nervoso, sem  saber se a guerra já havia começado. Ele gritou: “Vamos explodi-los agora! Não iremos desgraçar nossa Marinha!”.

Mas um terceiro oficial, o capitão Vassíli Arkhípov, que era responsável por toda a flotilha, convenceu seus colegas de que lançar um torpedo nuclear era uma decisão muito perigosa.

O B-59 subiu, exigindo que os navios americanos parassem com as provocações. Junto com os outros três submarinos soviéticos, ele foi forçado a deixar as águas cubanas e retornar à União Soviética.

Mas o ponto principal era que a tripulação havia evitado um embate em grande escala. No dia seguinte, 28 de outubro de 1962 , Kruschov e Kennedy chegaram a um acordo. A crise dos mísseis estava terminada.

Arkhípov não recebeu homenagens depois que a crise dos mísseis foi resolvida – pelo menos, não oficialmente.

Sobrevivente

Uma razão pela qual Savítski escutou Arhípov foi a autoridade que este conquistou ao longo de anos de serviço. O episódio mais incrível de sua carreira havia ocorrido um ano antes da crise cubana e o tornou famoso.

Em 1961, Arkhípov serviu no submarino nuclear K-19, conhecido entre os oficiais soviéticos por suas falhas e acidentes, e apelidado de “Hiroshima”.

Em julho de 1961, o K-19 estava realizando exercícios no norte do Atlântico quando seu reator quebrou.

O nível de radiação subiu perigosamente, e muitos oficiais entraram em pânico e começaram uma rebelião.

Arkhípov foi um dos poucos a manter a calma e ajudou a organizar uma evacuação. Ele mostrou a mesma postura durante a crise em Cuba, um ano depois.

Herói desconhecido

Arkhípov não recebeu homenagens depois que a crise dos mísseis foi resolvida – pelo menos, não oficialmente.

Sua história permaneceu secreta e ele continuou sua carreira na Marinha soviética, chegando ao cargo de vice-almirante em 1981.

Após a aposentadoria, viveu discretamente com sua família na região de Moscou.

Em 2002, durante uma conferência dedicada ao 40º aniversário da Crise dos Mísseis de Cuba, o oficial de inteligência Vadím Orlóv revelou detalhes do episódio, entre eles sobre como o mundo chegou perto de viver um holocausto nuclear, e como Arkhípov ajudou a impedir essa catástrofe.

Muito impressionado, o diretor do Arquivo de Segurança Nacional dos Estados Unidos, Thomas Blanton, declarou: “A lição deste episódio é que um homem chamado Vassíli Arkhípov salvou o mundo”.

Os participantes do evento concordaram, mas o relato pessoal de Arkhípov nunca foi ouvido. Ele morreu quatro anos antes, em 1998.

Gazeta Russa


 

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Publicado por em out 10 2017. Arquivado em 3. Você pode acompanhar quaisquer respostas a esta entrada através do RSS 2.0. Você pode deixar uma resposta, ou trackbacks a esta entrada

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