Código militar: continência é admissão de Bolsonaro que sub de Trump é seu superior

Quando Jair Bolsonaro, presidente eleito do Brasil, recebeu John Bolton, o Conselheiro de Segurança Nacional de Donald Trump com uma continência na manhã desta quinta-feira (29) em sua casa no Rio de Janeiro, explicitamente reconheceu a superioridade do visitante. É o que estabelece o “Regulamento de Continências, Honras, Sinais de Respeito e Cerimonial Militar das Forças Armadas (RCont)”, publicado pela portaria número 660/MD, de 19 de maio de 2009, pelo então Ministro da Defesa Nelson Jobim e que regula o tema: “A continência parte sempre do militar de menor precedência hierárquica” (artigo 14, parágrafo 2º). Ou seja, ao bater continência a Bolton, Bolsonaro reconhece-o, pelo código e cultura militares, como seu superior.

A cena, de alto impacto, pode ser vista em vídeo ao final desta reportagem e já é um símbolo da subordinação do futuro governo Bolsonaro aos Estados Unidos. Não é a primeira vez que Bolsonaro faz isso. Em outubro de 2017, numa viagem a Miami, bateu continência à bandeira dos Estados Unidos.

Bolsonaro é um militar reformado e, portanto, não está obrigado a seguir as normas do Regulamento, mas ele afirma o tempo todo ser ainda militar e, de fato, é a encarnação da cultura militar na política brasileira. Usa e abusa dos símbolos, costumes e normas da caserna. Quando toma iniciativa de bater continência para alguém, sabe que é um reconhecimento explícito da superioridade do cumprimentado o que, em si mesmo é uma incongruência porque, na qualidade de presidente eleito de uma nação soberana, não há ninguém “superior” a ele.

Se fosse um militar da ativa, Bolsonaro estaria desrespeitando o código militar. Segundo o Regulamente, um militar pode prestar continência a autoridades civis estrangeiras quando “em visita de caráter oficial”, o que não foi o caso no encontro desta quinta-feira e têm direito ao cumprimento, segundo os incisos III a VIII do artigo 15: “III – o Presidente da República; IV – o Vice-Presidente da República; V – os Presidentes do Senado Federal, da Câmara dos Deputados e do Supremo Tribunal Federal; VI – o Ministro de Estado da Defesa; VII – os demais Ministros de Estado, quando em visita de caráter oficial; VIII – os Governadores de Estado, de Territórios Federais e do Distrito Federal, nos respectivos territórios, ou, quando reconhecidos ou identificados, em qualquer parte do País em visita de caráter oficial”. John Bolton não se enquadra em nenhuma dessas categorias.

O regulamento prevê situações para que um militar bata continência à bandeira de outro país, nos inciso I do artigo 15. Nenhuma delas prevê uma situação como àquela em que Bolsonaro fez o gesto, em Miami. As situações para que um militar bata continência à bandeira de outro país são:

a) ao ser hasteada ou arriada diariamente, em cerimônia militar ou cívica;
b) por ocasião da cerimônia de incorporação ou desincorporarão, nas formaturas;
c) quando conduzida por tropa ou por contingente de Organização Militar;
d) quando conduzida em marcha, desfile ou cortejo, acompanhada por guarda ou por organização civil,
em cerimônia cívica;
e) quando, no período compreendido entre oito horas e o pôr-do-sol, um militar entra a bordo de um navio
de guerra ou dele sai, ou, quando na situação de “embarcado”, avista-a ao entrar a bordo pela primeira
vez, ou ao sair pela última vez.


Nota da Redação:

Durante o dia, muitas postagens nas redes sociais condenaram esse ato de subalternice do futuro presidente, entre eles esse abaixo…

 

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Publicado por em nov 29 2018. Arquivado em TÓPICO I. Você pode acompanhar quaisquer respostas a esta entrada através do RSS 2.0. Você pode deixar uma resposta, ou trackbacks a esta entrada

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