Ataque a base síria amplia impasse político-militar entre EUA e Rússia

Casa Branca diz que atacará Assad de novo se for preciso, e russos reforçam aliado

Trump: afastamento polêmico da Rússia – Carlos Barria/Reuters

BOSTON – O ataque americano a uma base aérea de Bashar al-Assad na Síria ampliou o impasse que já existia entre Estados Unidos e Rússia sobre a guerra civil, com ambos os lados prometendo um recrudescimento no uso da força. O tom adotado pelas duas potências nucleares foi de ameaça, elevando a tensão entre Washington e Moscou — num nível semelhante ao vivido na Guerra Fria. O Kremlin chamou a ação americana de “agressão” e “violação da lei internacional” e afirmou que suspenderia o canal de comunicação com forças dos EUA, usado para impedir que os dois países se atacassem na Síria, já que ambos atuam no país. Altos oficiais americanos, no entanto, negaram que a medida já tivesse sido tomada até ontem à noite.

A intervenção de Donald Trump, que enviou na quinta-feira 59 mísseis à base síria de onde teria partido o ataque químico que matou ao menos 86 pessoas, ainda gerou um inédito apoio internacional, justamente quando o presidente abandonou de vez a diplomacia e a passividade que marcaram a posição americana nos primeiros seis anos do conflito sírio — quando Barack Obama comandava o país. Nações europeias, como Alemanha, França e Reino Unido, apoiaram o bombardeio, considerado uma resposta adequada ao uso de armas químicas no conflito sírio, creditado a Assad.

 O episódio ainda gerou outro efeito colateral positivo para o republicano: deu argumentos que indicam que ele não está alinhado ao regime de Vladimir Putin. O presidente está sob investigação do Congresso e de órgãos de Inteligência, sob suspeita de ter sido beneficiário de espionagens nas eleições que teriam prejudicado Hillary Clinton. Ontem, o premier russo, Dmitry Medvedev, afirmou que o ataque deixou os EUA a um passo do choque com as Forças Armadas russas, que têm efetivos na base e foram avisadas com apenas 90 minutos de antecedência. Os russos optaram por não usar suas baterias de mísseis antiaéreos S-300 e S-400.

— Nós condenamos veementemente as ações ilegítimas dos EUA. As consequências para a estabilidade regional e internacional podem ser extremamente graves — alertou o vice-embaixador russo na ONU, Vladimir Safronkov, em reunião convocada às pressas pelo Conselho de Segurança.

‘Bombardeio irresponsável e tolo’

A embaixadora americana, Nikki Haley, rebateu e avisou que os EUA “estão preparados para fazer mais”, se for necessário.

— Os EUA deram um passo muito medido — declarou. — Não vamos ficar parados quando armas químicas são usadas. É tempo de dizer basta. Mas não apenas dizer, é também tempo de agir.

 

Haley abriu a reunião dizendo que Assad tinha realizado o ataque “porque sabia que estava protegido pela Rússia”, mas lembrou que “isso mudou”. No mesmo tom, o porta-voz da Casa Branca, Sean Spicer, afirmou que o presidente Trump “fez o que deveria ter sido feito”. A Presidência síria, por sua vez, classificou o bombardeio americanos de ato “irresponsável” e “tolo”.

“O que os EUA fizeram apenas revela sua visão míope a curto prazo e sua cegueira política e militar a respeito da realidade”, disse em comunicado.

E Moscou não ficou apenas na retórica. Horas após o bombardeio, uma fragata russa com mísseis de cruzeiro entrou no Mediterrâneo, em direção aos dois navios americanos que lançaram o ataque, segundo informações fornecidas à Fox News por um oficial da Defesa americana. De acordo com uma fonte do Kremlin, o navio permanecerá na costa síria pelo menos durante um mês. A Rússia também anunciou que reforçará as defesas antiaéreas sírias com baterias de mísseis.

Agência O Globo


 

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Publicado por em abr 8 2017. Arquivado em TÓPICO IV. Você pode acompanhar quaisquer respostas a esta entrada através do RSS 2.0. Você pode deixar uma resposta, ou trackbacks a esta entrada

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