Assad elogia Rússia e minimiza armamento dos EUA após ataque: ‘contidos com mísseis da década de 70’

O presidente da Síria, Bashar Assad, adotou um tom desafiador ao receber uma
delegação russa um dia após os ataques da coalizão liderada pelos EUA, que
lançou mais de 100 mísseis contra alvos do governo sírio. Assad elogiou o apoio
militar do Kremlin e afirmou que a Síria vai enfrentar a “agenda imposta pelo
Ocidente”.


Os enviados de Moscou afirmaram, segundo a imprensa russa, que Assad estava
de “bom humor”. Imagens da reunião transmitida pela TV mostraram Assad
animado, sorrindo ao se encontrar com os russos. No encontro, o sírio afirmou que
os ataques demonstraram que as armas russas eram superiores às norteamericanas,
de acordo com os enviados. A Rússia afirma que 71 dos 103 mísseis disparados foram abatidos, embora o Pentágono diga que isso não é verdade.

Apesar das afirmações do presidente dos EUA, Donald Trump, de que a operação
foi um “enorme sucesso”, a ação está sendo interpretada na Síria como uma vitória
para Assad porque o alcance limitado dos ataques sugeriria que as potências
ocidentais não tinham a intenção de desafiar seu governo.

No encontro, o presidente sírio também chegou a denunciar uma “campanha de
falácias e mentiras” contra seu país por parte dos governos de Donald Trump, do
presidente francês Emmanuel Macron e da premiê britânica, Theresa May no
Conselho de Segurança da ONU. Para ele, o ataque é uma violação dos direitos
internacionais, principalmente porque a Rússia e a Síria “não só estão em uma
batalha contra o terrorismo, mas também para proteger a lei internacional baseada
no respeito à soberania dos Estados soberanos e a vontade dos seus povos”.

“Ontem vimos a agressão norte-americana e conseguimos contê-la com mísseis
soviéticos fabricados na década de 1970”, disse Assad, segundo afirmou o russo
DmitrySablin, parte da comitiva de Moscou, citado pela agência Interfax. “Os filmes
norte-americanos mostraram desde os anos 90 que as armas fabricadas na Rússia
são ‘atrasadas’. No entanto, hoje pudemos ver quem realmente está ficando para
trás”, disse Assad, segundo Sablin.

Um confronto direto entre a Rússia e os EUA é improvável, Moscou pode procurar
outras maneiras de atacar o Ocidente, usando o status da Rússia como
superpotência para minar as principais metas da política externa dos EUA. Além
disso, há várias maneiras de a Rússia causar problemas para os EUA e seus
aliados, como com o fornecimento de armas mais avançadas à Síria ou ajudando
a Coreia do Norte a burlar as sanções, além da possibilidade de retomar a crise na
Ucrânia, de realizar novos ataques cibernéticos ou até mesmo de ampliar o apoio
aos políticos populistas de extrema-direita na Europa.

Putin fala em “caos mundial”
O presidente da Rússia, Vladimir Putin, alertou neste domingo que mais ataques
ocidentais contra a Síria trariam o caos aos assuntos mundiais, enquanto surgiram
sinais de que Moscou e Washington querem recuar da pior crise em suas relações
em anos.

Putin fez as declarações em uma conversa por telefone com seu colega iraniano,
Hassan Rouhani, depois que os Estados Unidos, a França e o Reino Unido
lançaram mísseis contra a Síria no sábado, por suspeita de um ataque com gás
venenoso. Um comunicado do Kremlin disse que Putin e Rouhani concordaram que
as ações ocidentais prejudicaram as chances de se chegar a uma solução política
para o conflito de sete anos que já matou pelo menos meio milhão de pessoas.


Os comentários de Putin foram publicados logo após o vice-ministro das Relações
Exteriores da Rússia, Sergei Ryabkov, ter feito uma nota mais conciliatória dizendo
que Moscou faria todos os esforços para melhorar as relações políticas com o
Ocidente. (Com agências internacionais)


 

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Publicado por em abr 16 2018. Arquivado em 2. Você pode acompanhar quaisquer respostas a esta entrada através do RSS 2.0. Você pode deixar uma resposta, ou trackbacks a esta entrada

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